Diante dos cada vez
mais complexos desafios impostos pelo desenvolvimento humano e tecnológico, a
administração pública assume contornos técnicos altamente dissociados do caráter
meramente político, exigindo que as decisões sejam pautadas mais pela
competência e planejamento adequado, e menos pelo efeito midiático que um
programa ou obras possam render. São tamanhas as necessidades, que contrasta com
o discurso eleitoreiro de se construírem pontes ou se abrirem avenidas em nome
do progresso, sem que se inclua a premente necessidade da
comunidade.
Em todos os aspectos,
o poder público deve estar focado em promover ações voltadas para o interesse da
sociedade, buscando um novo padrão de governo que estimule a maior participação
das forças atuantes e deixe abertos os canais de interação para otimizar a
aplicação de recursos e desenvolver um trabalho que receba aprovação da maioria.
A proximidade de um administrador com todas as vertentes, independentemente de
laços partidários, tem como conseqüência lógica a soma de esforços em benefício
da comunidade, que é o objetivo maior.
Os conceitos de
administração moderna não comportam mais o caráter passivo da comunidade, de
esperar que o poder público resolva todas as questões de moto próprio, como se
houvesse olhos e recursos para distinguir todas as prioridades. Da mesma forma,
não cabe o simples repasse de obrigações públicas para a sociedade por meio de
suas entidades, organizações não-governamentais e instituições civis, que acabam
ocupando o espaço e assumindo a responsabilidade que é inerente aos poderes
constituídos.
Muito em voga desde o
ano passado, o famoso conceito de Área de Revitalização Econômica (ARE) é uma
medida que contempla a melhor abordagem das questões de governança pública. Por
meio de parcerias entre o poder público, empresas, proprietários de áreas e
imóveis, cria-se um plano de ação e investimentos de interesse mútuo, com
divisão de responsabilidades e atribuições que cumprem o objetivo
almejado.
O
que é correto é que haja uma justa medida de equilíbrio de ações, de forma que a
administração pública arque com a sua competência nas questões e a sociedade se
manifeste de forma propositiva, participando do processo decisório. O que se
espera é que os políticos se atentem ao fato de que administrar está longe de
ser comparado a um acalorado discurso em um palanque em plena época de
eleições.
Eduardo Machado é
empresário, Membro da Executiva Nacional do PHS e do Conselho Curador da
Fundação
Solidarista/FUNSOL